Cruz Vermelha Brasileira — Rio de Janeiro
Foto: Diário do Rio de Janeiro

Nossa história

A história da Cruz Vermelha no Rio de Janeiro

A Cruz Vermelha Brasileira (CVB) foi fundada no Rio de Janeiro em 1908. Na cidade começaram os primeiros cursos de enfermagem da instituição, em 1914, e está o Palácio da Cruz Vermelha, construído entre 1919 e 1923 e tombado como patrimônio cultural federal. Esta página reúne essa trajetória, com linha do tempo e fontes.

  • 1908Fundação, no Rio de Janeiro
  • 1914Primeiro curso de enfermagem
  • 1923Inauguração do Palácio
  • 2021Tombamento federal definitivo

De 1907 a 2023

Linha do tempo

1907–1919

Fundação e primeiros anos

Do encontro que lançou as bases da instituição ao ingresso no movimento internacional.

  1. 1907

    O médico Joaquim de Oliveira Botelho lança as bases da instituição. Oswaldo Cruz preside a diretoria provisória.

  2. 1908

    Em 5 de dezembro, são aprovados os estatutos: fundação oficial da Cruz Vermelha Brasileira.

  3. 1910

    O Decreto nº 2.380 reconhece oficialmente a instituição.

  4. 1912

    Reconhecimento pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, cessão do terreno da futura Praça da Cruz Vermelha e primeira filial, em São Paulo.

  5. 1914

    Começa o primeiro curso de Enfermeiras Voluntárias.

  6. 1916

    É criada a Escola Prática de Enfermeiras.

  7. 1917

    Forma-se a primeira turma da Escola: oito enfermeiras.

  8. 1918

    Na gripe espanhola, a Escola vira posto de isolamento.

  9. 1919

    Ingresso na Liga das Sociedades da Cruz Vermelha e início das obras do edifício-sede.

1920–1948

O Palácio e a Escola

A sede definitiva, a expansão pelo país e a formação de enfermeiras.

  1. 1920

    Primeiro curso de enfermeiras visitadoras do país.

  2. 1923

    Inauguração do Palácio da Cruz Vermelha, projeto de Pedro Campofiorito.

  3. 1927

    Uma aluna da Escola recebe a Medalha Florence Nightingale.

  4. 1933

    O Decreto nº 23.482 define a CVB como órgão central da federação.

  5. 1941–1943

    Criação de 61 filiais.

  6. 1942–1945

    Alunas da Escola atuam na Itália junto à Força Expedicionária Brasileira.

  7. 1945

    O Decreto-Lei nº 7.928 institui as condecorações da instituição.

  8. 1948

    Segunda Medalha Florence Nightingale de uma aluna da Escola.

1963–1988

Assistência e memória

Ajuda em emergências e o pedido de proteção do Palácio como patrimônio.

  1. 1963

    Irene de Miranda Cotegipe Milanez assume a direção da Escola.

  2. 1980

    Na seca do Nordeste, 124.982 toneladas de donativos distribuídos.

  3. 1988

    A CVB pede ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o tombamento do edifício-sede.

2010–2023

Patrimônio e reconhecimento

Títulos de utilidade pública e a proteção federal definitiva do Palácio.

  1. 2010

    Utilidade pública municipal (Lei nº 5.153).

  2. 2011

    Assistência na catástrofe climática da Região Serrana.

  3. 2016

    O Decreto nº 8.714 organiza a CVB em órgão central e filiais.

  4. 2021

    Tombamento definitivo do Palácio da Cruz Vermelha, em 10 de novembro.

  5. 2023

    Utilidade pública estadual (Lei nº 9.984).

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha

A Cruz Vermelha Brasileira é a Sociedade Nacional do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Brasil. O Movimento reúne o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) e as Sociedades Nacionais de cada país, orientados pelos mesmos sete princípios fundamentais: humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universalidade.

O emblema da cruz vermelha sobre fundo branco não é uma marca: é um símbolo de proteção previsto nas Convenções de Genebra. No Brasil, o uso do nome e do emblema é protegido por lei desde o Decreto nº 2.380, de 1910.

1907 e 1908: a fundação

Em 17 de outubro de 1907, o médico Joaquim de Oliveira Botelho reuniu médicos e outros profissionais no Rio de Janeiro, então capital federal, para lançar as bases de uma Cruz Vermelha no Brasil[1, 2]. Em 31 de dezembro do mesmo ano, foi aclamada uma diretoria provisória, com o sanitarista Oswaldo Cruz na presidência e Gregório Thaumaturgo de Azevedo como vice-presidente[1].

Em 5 de dezembro de 1908, em reunião no salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, foram discutidos e aprovados os estatutos da sociedade. Essa é a data oficial de fundação da Cruz Vermelha Brasileira[1]. Ainda em 1908, Oswaldo Cruz declinou da presidência e passou as funções ao vice-presidente[3, 4]. Thaumaturgo de Azevedo foi o primeiro presidente efetivo da instituição e a dirigiu até 1918[3].

1910 a 1919: reconhecimento e primeiras filiais

Em 31 de dezembro de 1910, o Decreto nº 2.380 reconheceu oficialmente a Cruz Vermelha Brasileira. Em 16 de março de 1912, o CICV a reconheceu como a Sociedade Nacional do Brasil, e em 13 de junho do mesmo ano o Decreto nº 9.620 a declarou de caráter nacional e de utilidade pública internacional[1].

A rede de filiais começou em 1912, com a de São Paulo, fundada pela médica belga Marie Rennotte[1, 2]. Vieram em seguida as de Minas Gerais, em 1914, e do Amazonas, em 1916[1]. Em 23 de maio de 1919, a Cruz Vermelha Brasileira passou a integrar a Liga das Sociedades da Cruz Vermelha, criada naquele ano e hoje chamada FICV[1].

O Palácio da Cruz Vermelha

Em 1912, o Governo Federal cedeu à Cruz Vermelha Brasileira um terreno no Centro do Rio de Janeiro[5, 6]. A área era ocupada pelo Morro do Senado, desmontado entre 1880 e 1906; nas reformas urbanas da gestão do prefeito Pereira Passos, o local ganhou o traçado circular que tem até hoje[7]. A praça, no cruzamento da Avenida Henrique Valadares com a Avenida Mem de Sá e a Rua Carlos Sampaio, recebeu o nome de Praça da Cruz Vermelha por ficar em frente ao Hospital da Cruz Vermelha[7].

Prédio da Cruz Vermelha em obras, cercado por andaimes e por um muro, ainda sem os andares superiores
A construção antes da modificação do projeto, em 1920.Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira
Fachada do Palácio da Cruz Vermelha ainda com andaimes, já com os andares superiores e a estrutura da cúpula
O estado da fachada no começo de 1923, ano da inauguração.Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira

O projeto do edifício-sede, escolhido em concurso público, é do arquiteto italiano Pedro Campofiorito (1875–1945)[6, 8]. As obras começaram em 5 de outubro de 1919, e o prédio foi inaugurado em 1923[5, 6]. É uma construção em estilo eclético, o padrão da arquitetura oficial da República na época, com estrutura de pedra e tijolo maciço[8]. A fachada principal acompanha o contorno circular da praça, e as fachadas, a cobertura, as escadas e o volume do hall estão entre os elementos protegidos[6].

Grupo escultórico sobre a entrada do Palácio: uma enfermeira amparando um ferido, sob o arco da fachada
Detalhe da fachada: o grupo escultórico sobre a entrada principal.Foto: blog O Rio que o Rio não vê

O tombamento foi pedido pela própria Cruz Vermelha Brasileira em 26 de setembro de 1988[8]. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou o tombamento provisório em julho de 2021, e o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o tombamento definitivo em 10 de novembro de 2021, em sua 98ª reunião. Desde então, o edifício tem proteção federal em caráter permanente[6].

A Escola de Enfermagem

A formação de enfermeiras é uma das marcas da Cruz Vermelha no Rio de Janeiro. O primeiro curso, para o corpo de Enfermeiras Voluntárias, começou em 20 de outubro de 1914, e a Escola Prática de Enfermeiras foi criada em 16 de março de 1916[9]. A primeira turma se formou em 3 de maio de 1917: oito enfermeiras, diplomadas na inauguração da sede provisória da instituição, na Rua Prefeito Barata, 75[10].

Sede provisória da Cruz Vermelha Brasileira, prédio térreo com bandeiras, com pessoas e automóveis antigos em frente
A sede provisória da Cruz Vermelha Brasileira e da Escola de Enfermeiras, na inauguração, em 3 de maio de 1917.Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira
Enfermeiras de uniforme branco e véu enfileiradas na varanda da Escola de Enfermeiras, sob a placa com o nome da instituição
Enfermeiras voluntárias e profissionais na varanda da Escola de Enfermeiras, em 1917.Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira

Na epidemia de gripe espanhola, em 1918, a Escola foi transformada em posto de isolamento, e suas enfermeiras atuaram em hospitais, postos de socorro e residências da cidade[9, 11]. Em 1920, a Escola criou o primeiro curso de enfermeiras visitadoras do país, dedicado à enfermagem em visitas domiciliares, voltada à saúde pública. Em 1940, começou também o curso de Assistência Social[9].

Durante a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, alunas da Escola atuaram na Itália junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB); entre elas, Virgínia Portocarrero[9, 10]. Duas alunas da Escola receberam a Medalha Florence Nightingale, concedida pelo CICV a profissionais de enfermagem, em 1927 e em 1948[9]. Uma delas, Irene de Miranda Cotegipe Milanez, dirigiu a Escola a partir de 1963[10].

Uma federação em todo o país

Em 21 de novembro de 1933, o Decreto nº 23.482 definiu a Cruz Vermelha Brasileira como órgão central da organização federativa de todas as associações de Cruz Vermelha no país. Entre 1941 e 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, foram criadas 61 filiais[1]. Hoje, o Decreto nº 8.714, de 2016, organiza a instituição como uma federação formada por órgão central, filiais estaduais e filiais municipais[5].

Em 3 de setembro de 1945, o Decreto-Lei nº 7.928 instituiu as condecorações da Cruz Vermelha Brasileira, entre elas a Cruz de Honra e a Cruz de Benemerência, destinadas a reconhecer serviços prestados à humanidade[12].

Em acidentes, epidemias e desastres

Ao longo do século XX e do início do XXI, a Cruz Vermelha Brasileira prestou assistência a pessoas atingidas por acidentes, epidemias e desastres. No Rio de Janeiro, a instituição registra atuação no desabamento do Hotel York, em 1917; no incêndio da Favela do Esqueleto, em 1953; no incêndio da Praia do Pinto, em 1969; no temporal que atingiu a Guanabara e o Estado do Rio, em 1971; nas enchentes de Jacarepaguá, em 1996; e na catástrofe climática da Região Serrana, em janeiro de 2011[13]. Fora do estado, na seca de 1980 no Nordeste, a instituição distribuiu 124.982 toneladas de donativos[1].

Voluntário de costas, com colete da Cruz Vermelha Brasileira, Filial do Estado do Rio de Janeiro, diante de uma distribuição de donativos
Voluntário da Filial do Rio de Janeiro em uma distribuição de donativos.Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira

A Filial do Rio de Janeiro hoje

A Filial do Estado do Rio de Janeiro é uma das filiais estaduais da Cruz Vermelha Brasileira. É reconhecida como de utilidade pública municipal pela Lei nº 5.153, de 30 de abril de 2010, e de utilidade pública estadual pela Lei nº 9.984, de 29 de março de 2023[5].

Hoje, a Filial forma voluntários, oferece cursos presenciais de primeiros socorros e de formação profissional pela Escola de Educação e Saúde CVB-RJ, atua em educação preventiva e organiza campanhas de apoio comunitário, como a Campanha do Agasalho. Quem conduz esse trabalho está na página da equipe.

Para saber mais

Documentos, fotografias e registros de época

O Acervo da Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro reúne documentos, fotografias, vídeos e recortes de imprensa da Filial, com data, autoria e condições de uso de cada item. Quem tiver fotografias, documentos ou relatos sobre a história da Filial pode escrever para contato@cruzvermelhariodejaneiro.org.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre a história da Cruz Vermelha no Rio

Quem fundou a Cruz Vermelha no Brasil?

A iniciativa foi do médico Joaquim de Oliveira Botelho, que reuniu médicos e outros profissionais no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1907. Os estatutos da Cruz Vermelha Brasileira foram aprovados em 5 de dezembro de 1908, data oficial da fundação.

Quem foi o primeiro presidente da Cruz Vermelha Brasileira?

Oswaldo Cruz foi aclamado presidente da diretoria provisória em 31 de dezembro de 1907, mas declinou do cargo em 1908. O primeiro presidente efetivo foi Gregório Thaumaturgo de Azevedo, que dirigiu a instituição de 1908 a 1918.

Quando foi fundada a Cruz Vermelha Brasileira?

Em 5 de dezembro de 1908, no Rio de Janeiro, com a aprovação dos estatutos em reunião no salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.

Onde fica o prédio histórico da Cruz Vermelha no Rio de Janeiro?

O Palácio da Cruz Vermelha fica na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio de Janeiro. Foi construído entre 1919 e 1923, em estilo eclético, com projeto do arquiteto Pedro Campofiorito.

O prédio da Cruz Vermelha no Rio é tombado?

Sim. O tombamento foi pedido pela própria Cruz Vermelha Brasileira em 1988. O Iphan publicou o tombamento provisório em julho de 2021, e o tombamento definitivo foi aprovado em 10 de novembro de 2021.

Por que a praça se chama Praça da Cruz Vermelha?

Porque fica em frente ao prédio da Cruz Vermelha, que funcionou como hospital. Antes disso, o local era ocupado pelo Morro do Senado, desmontado entre 1880 e 1906.

Desde quando a Cruz Vermelha forma enfermeiras no Rio de Janeiro?

O primeiro curso começou em 20 de outubro de 1914, e a Escola Prática de Enfermeiras foi criada em 16 de março de 1916. A primeira turma se formou em 3 de maio de 1917, com oito enfermeiras.

Qual é a diferença entre a Cruz Vermelha Brasileira e a Filial do Rio de Janeiro?

A Cruz Vermelha Brasileira é a Sociedade Nacional do Movimento da Cruz Vermelha no Brasil, organizada como federação: um órgão central, filiais estaduais e filiais municipais. A Filial do Estado do Rio de Janeiro é uma dessas filiais estaduais.

Referências

Fontes

  1. Cruz Vermelha Brasileira, Centro de Memória e Documentação (Memória CVB). Cem anos de história.
  2. Wikipédia. Cruz Vermelha Brasileira.
  3. Cruz Vermelha Brasileira, Centro de Memória e Documentação (Memória CVB). Galeria de presidentes.
  4. Cruz Vermelha Brasileira. Presidentes nacionais.
  5. Wikipédia. Cruz Vermelha Brasileira - Rio de Janeiro.
  6. Diário do Rio de Janeiro. Iphan tomba Edifício da Cruz Vermelha e Avião Catalina, 10 nov. 2021.
  7. Wikipédia. Praça da Cruz Vermelha.
  8. Consultor Jurídico (ConJur). Edifício-sede da Cruz Vermelha, no Rio, é tombado após ação do MPF, 20 jul. 2021.
  9. Cruz Vermelha Brasileira. Escola de Enfermeiras.
  10. Cruz Vermelha Brasileira, Centro de Memória e Documentação (Memória CVB). Enfermeiras da CVB.
  11. Diário do Rio de Janeiro. História do prédio da Cruz Vermelha.
  12. Câmara dos Deputados. Decreto-Lei nº 7.928, de 3 de setembro de 1945 (publicação original).
  13. Cruz Vermelha Brasileira. Fatos e fotos.

Créditos das imagens

  • Topo: fachada do Palácio da Cruz Vermelha à noite. Diário do Rio de Janeiro.
  • Obras do edifício (antes de 1920 e começo de 1923), sede provisória e Escola de Enfermeiras (1917) e distribuição de donativos: Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira.
  • Detalhe da fachada: blog O Rio que o Rio não vê.

Texto revisado em setembro de 2026. Correções e novas informações: contato@cruzvermelhariodejaneiro.org.