Cruz Vermelha Brasileira — Rio de Janeiro

Institucional

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

A Cruz Vermelha não é uma organização só: é uma rede mundial com três componentes. Veja como ela se organiza e onde a filial do Rio de Janeiro entra.

Uma rede, e não uma organização só

Fotomontagem de 1863 com os cinco fundadores do Comitê Internacional: o general Dufour em pé, ao centro, e, em quatro medalhões ovais, Moynier, Dunant, Appia e Maunoir, com os nomes em caligrafia e uma cruz no rodapé
O comitê fundador, em fotomontagem de 1863: ao centro, o general Guillaume-Henri Dufour; nos medalhões, Gustave Moynier, Henri Dunant, Louis Appia e Théodore Maunoir. Foto: Arquivos audiovisuais do CICV, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (redimensionada pela filial).
Henri Dunant idoso, sentado numa cadeira de madeira, com longa barba branca, gorro escuro e casaco grosso de lã, olhando para a câmera
Henri Dunant em 1901, ano em que dividiu o primeiro Prêmio Nobel da Paz com Frédéric Passy (Fundação Nobel, em inglês). Imagem: Time Life Pictures, 1901, acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA, via Wikimedia Commons (domínio público).

Muita gente imagina a Cruz Vermelha como uma única organização. Não é assim. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é uma rede de organizações diferentes, cada uma com seu papel, unidas pelos mesmos sete Princípios Fundamentais.

Tudo começou com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), criado em 1863 pelo suíço Henri Dunant. Depois de ver os horrores da Batalha de Solferino, ele quis criar comitês que treinassem voluntários, em tempos de paz, para socorrer feridos na guerra. Esses comitês são as atuais Sociedades Nacionais: as organizações da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho de cada país.

“O Movimento é integrado pelo CICV, por 191 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).”

CICV, Sobre o Movimento

Os três componentes do Movimento

Cada componente tem um papel próprio, e os papéis se completam.

ComponenteO que éO que faz
Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)A organização que deu origem ao Movimento, em 1863.Protege e ajuda pessoas afetadas por conflitos armados e trabalha pelo respeito ao Direito Internacional Humanitário.
Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV)A organização que reúne as 191 Sociedades Nacionais.Funciona por meio das Sociedades Nacionais e cuida da integridade e dos interesses delas.
Sociedades NacionaisNo máximo uma por país (princípio da Unidade). No Brasil, a Cruz Vermelha Brasileira.Auxiliam as autoridades na área humanitária, respondem a emergências e apoiam pessoas vulneráveis no próprio país.
Fachada da sede do CICV em Genebra: prédio claro com o letreiro CICR ladeado por cruzes vermelhas no alto, bandeira hasteada, árvores e gramado à frente
O CICV: sede em Genebra, 2004, com o letreiro “CICR” entre cruzes vermelhas. Imagem: Alexander Umbricht, 2004, via Wikimedia Commons (domínio público).
Entrada da sede da Federação Internacional em Genebra: fachada de vidro escuro com os Princípios Fundamentais gravados, porta giratória e totem com o logotipo IFRC
A Federação Internacional: entrada da sede em Genebra, com os Princípios Fundamentais gravados na fachada de vidro. Foto: MHM55, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (redimensionada pela filial).
Homem de colete refletivo entrega a uma moradora uma caixa com a cruz vermelha e o nome Fiji Red Cross Society, diante de um caminhão; ao lado, uma voluntária de colete branco com o emblema faz anotações
Uma Sociedade Nacional em ação: a Cruz Vermelha de Fiji entrega suprimentos após enchentes em Ba, Fiji, 2012. Foto: Department of Foreign Affairs and Trade (Austrália), via Wikimedia Commons, CC BY 2.0 (redimensionada pela filial).

O Direito Internacional Humanitário é a parte do direito internacional que busca limitar os efeitos das guerras (CICV). Saiba mais em Direito Internacional Humanitário.

A filial do Rio está no terceiro grupo: faz parte da Cruz Vermelha Brasileira, a Sociedade Nacional do Brasil. Ela não é um escritório do CICV nem da Federação. Quando forma voluntários ou faz uma campanha no estado, age como parte da Sociedade Nacional.

Conferência Internacional e Conselho de Delegados

Os componentes do Movimento se reúnem em dois fóruns.

Diagrama da estrutura do Movimento: no alto, o CICV (criado em 1863), a Federação Internacional (reúne as 191 Sociedades Nacionais) e as 191 Sociedades Nacionais, com a Cruz Vermelha Brasileira em destaque; abaixo, setas levam à Conferência Internacional, que reúne também os Estados das Convenções de Genebra, ao Conselho de Delegados e à Comissão Permanente, que atua entre duas Conferências
Os três componentes e os fóruns em que se reúnem. A Comissão Permanente, à direita, atua entre duas Conferências e orienta o Movimento no interesse de todos os componentes (site oficial da Comissão, em inglês).

Conferência Internacional

É o órgão deliberativo supremo do Movimento, ou seja, a instância mais alta de discussão e decisão. Reúne os três componentes e os Estados que fazem parte das Convenções de Genebra, para discutir temas humanitários e assumir compromissos juntos. Costuma acontecer a cada quatro anos. Suas decisões se chamam resoluções, e a Conferência procura aprová-las por consenso (veja o site oficial, em inglês, e a página do CICV).

Conselho de Delegados

Reúne só os componentes do Movimento, sem os Estados, a cada dois anos, para tratar de assuntos do Movimento como um todo. Nos anos de Conferência, reúne-se antes dela e aprova a pauta (site oficial, em inglês).

Essas decisões também orientam a Cruz Vermelha Brasileira. O Estatuto diz que ela é regida, entre outras normas, pelas resoluções da Conferência e do Conselho de Delegados, pelo Estatuto do Movimento e pelas decisões da Assembleia Geral da Federação Internacional (art. 6º).

Os emblemas: cruz, crescente e cristal

O Movimento usa três emblemas: a cruz vermelha, o crescente vermelho e o cristal vermelho. O cristal foi introduzido em 2005, pensado para países que não usam nenhum dos outros dois símbolos por razões culturais ou políticas (CICV).

Emblema da cruz vermelha: cruz de braços iguais em vermelho sobre fundo branco
Cruz vermelhaImagem: desenho do emblema de 1864 (Louis Appia e Henri Dufour), via Wikimedia Commons (domínio público).
Emblema do crescente vermelho: lua crescente vermelha sobre fundo branco
Crescente vermelhoImagem: autor desconhecido (emblema de 1877), via Wikimedia Commons (domínio público).
Emblema do cristal vermelho: moldura vermelha em forma de losango sobre fundo branco
Cristal vermelhoIntroduzido em 2005. Imagem: Denelson83 e Zscout370, via Wikimedia Commons (domínio público).

Os emblemas têm dois usos. Em conflitos armados, eles mostram que serviços de saúde e certas organizações humanitárias estão protegidos pela lei internacional. Em tempos de paz, as Sociedades Nacionais os usam para se identificar como parte do Movimento (CICV, Nossos emblemas). No Brasil, a Cruz Vermelha Brasileira tem o direito de usar a cruz vermelha em fundo branco, com o nome “Cruz Vermelha Brasileira” ou a sigla “CVB”, e deve atuar contra o uso indevido do emblema (Estatuto, art. 9º). Saiba mais em Emblema.

Pessoa voluntária do Crescente Vermelho Tunisiano, de costas, com colete vermelho com o crescente branco, faz continência à bandeira da Tunísia diante de um prédio baixo
Em tempo de paz, o emblema identifica a Sociedade Nacional: pessoa voluntária do Crescente Vermelho Tunisiano, de costas, com o crescente no colete, numa campanha de vacinação contra a covid-19 em Ben Arous, Tunísia, em 2021. Foto: Brahim Guedich, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (redimensionada pela filial).

A Cruz Vermelha Brasileira no Movimento

A Cruz Vermelha Brasileira (CVB) é a Sociedade Nacional do Brasil. Foi fundada no Rio de Janeiro, então capital do país, em 5 de dezembro de 1908, com o nome de Sociedade Cruz Vermelha Brasileira (Estatuto, art. 1º). É uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos (art. 2º), e a única Sociedade de Cruz Vermelha autorizada a atuar em todo o território brasileiro (art. 3º).

Art. 7º A CVB foi reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 16 de março de 1912, como um componente do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, e foi admitida em 17 de junho de 1919 como membro da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Estatuto da CVB, art. 7º (Decreto nº 8.885/2016)

Ou seja: desde 1912 a CVB faz parte oficialmente do Movimento, e desde 1919 é membro da Federação. A história completa está em Nossa história.

Em 1935, de 15 a 26 de setembro, o Rio sediou a III Conferência Pan-Americana da Cruz Vermelha, a primeira reunião internacional da Cruz Vermelha no Brasil:

Recorte de jornal de 1935 com fotografias da sessão de instalação da III Conferência Pan-Americana da Cruz Vermelha, no Theatro Municipal
Instalação da III Conferência Pan-Americana de Cruz Vermelha, no Theatro Municipal, presidida por Getúlio Vargas (recorte de jornal de 1935). Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira.
Página da Revista da Cruz Vermelha Brasileira com o título O maremoto da Holanda e o agradecimento assinado pela Cruz Vermelha Neerlandesa
Sociedades Nacionais que se ajudam: agradecimento da Cruz Vermelha Neerlandesa à Cruz Vermelha Brasileira após o maremoto na Holanda, publicado na Revista da Cruz Vermelha Brasileira. Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira.

Como a Cruz Vermelha Brasileira se organiza

Para estar presente no país inteiro, a CVB funciona como uma federação, dividida em três níveis (Estatuto, art. 13). O Órgão Central foi instituído pelo Decreto nº 23.482/1933, que já previa patrimônio próprio e administração local para cada filial, sem quebra da organização federativa (art. 3º do decreto).

Organograma da Cruz Vermelha Brasileira em três níveis: o Órgão Central no alto; abaixo, as filiais estaduais, com a Filial do Estado do Rio de Janeiro em destaque e a sede no Palácio da Cruz Vermelha, no Centro do Rio; embaixo, as filiais municipais; nota: onde não há filial municipal, quem responde pelas ações é a filial estadual (art. 13, §2º)
Os três níveis do Estatuto (art. 13) e o lugar da filial do Rio entre as filiais estaduais.
NívelO que faz (resumo do art. 13)
Órgão CentralCria normas, coordena e fiscaliza as filiais, planeja programas nacionais e representa a CVB fora do país.
Filiais estaduaisImplantam programas, promovem treinamentos, divulgam as Convenções de Genebra, coordenam as filiais municipais e respondem pelas ações na capital e nos municípios sem filial.
Filiais municipaisRespondem pelas ações no seu município e aplicam ali o Plano Estratégico Nacional da CVB.

Sobre as filiais estaduais, como a do Rio, o texto oficial diz:

§ 2º As associações estaduais e do Distrito Federal - denominadas filiais estaduais, adotando, respectivamente, as denominações Cruz Vermelha Brasileira - Filial, seguida da nominação do estado sede; e Cruz Vermelha Brasileira - Filial Distrito Federal:

I - implantam programas, promovem treinamentos, divulgam a legislação humanitária internacional, as Convenções de Genebra e atividades da CVB, apoiam, coordenam, fiscalizam, orientam e regulam as atividades das filiais municipais, sendo, ainda, responsáveis pelas ações operacionais desenvolvidas na capital do estado e nos municípios onde não existam filiais; e

II - elaboram e divulgam relatório de riscos ambientais e sociais em seu território.

Estatuto da CVB, art. 13, §2º (Decreto nº 8.885/2016)

Onde a filial do Rio de Janeiro fica nessa estrutura

Do mais amplo ao mais próximo:

  1. Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho: a rede mundial, com o CICV, a Federação e 191 Sociedades Nacionais.
  2. Cruz Vermelha Brasileira: a Sociedade Nacional do Brasil, com Órgão Central e filiais.
  3. Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado do Rio de Janeiro: a filial estadual, com sede no Palácio da Cruz Vermelha, no Centro do Rio.
Voluntário de costas, com camiseta vermelha da Cruz Vermelha Brasileira – Filial do Estado do Rio de Janeiro, diante de uma distribuição de donativos
O nome completo da filial na camiseta de um voluntário, numa distribuição de donativos. Acervo do Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira.

O nome completo segue a regra do Estatuto para as filiais estaduais (art. 13, §2º). Nas ações do dia a dia, o Estatuto pede que todas as filiais usem “Cruz Vermelha Brasileira” com o emblema (art. 13, §4º). Por isso você vê “Cruz Vermelha Brasileira” nas nossas ações e o nome completo nos documentos oficiais.

A filial é uma associação privada sem fins lucrativos (CNPJ 08.560.973/0001-97). Tem patrimônio próprio e é coordenada pelo Órgão Central (art. 14). No estado, trabalha com formação de voluntários, capacitação em primeiros socorros, educação preventiva e apoio comunitário, em ações como a Campanha do Agasalho, o Impacto das Cores e a Força-Tarefa Humanitária – Ações El Niño. Veja quem conduz esse trabalho em Equipe e o resumo da instituição em Quem somos.

Voluntário da filial, de colete com a cruz vermelha, entrega um agasalho a um morador sentado numa rua de comunidade
Campanha do Agasalho: voluntário da filial entrega um agasalho a morador de comunidade.
Voluntária da Cruz Vermelha, de colete vermelho, ajuda dois meninos a entrar no saco para a corrida, numa quadra
Dia das Crianças: uma voluntária da filial organiza a corrida de saco.

Perguntas frequentes

Cruz Vermelha e Crescente Vermelho são organizações diferentes?

Fazem parte do mesmo Movimento. Cada Sociedade Nacional usa um dos emblemas reconhecidos: a cruz, o crescente ou o cristal vermelho. Todas seguem os mesmos princípios.

A filial do Rio é a mesma coisa que a Cruz Vermelha Brasileira?

A filial faz parte da Cruz Vermelha Brasileira. É a filial estadual do Rio, com patrimônio próprio e coordenada pelo Órgão Central, como prevê o Estatuto.

Quantas Sociedades Nacionais existem?

Segundo o CICV, são 191 Sociedades Nacionais. No Brasil, é a Cruz Vermelha Brasileira.

Atualizado em 15/10/2026.