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Gripe espanhola Rio de Janeiro: a Cruz Vermelha em 1918
Como foi a gripe espanhola no Rio de Janeiro em 1918 e como a Cruz Vermelha Brasileira instalou enfermarias na Escola de Enfermeiras para atender a população.

A gripe espanhola atingiu o Rio de Janeiro, então capital federal, em 1918. Naquele ano, a Cruz Vermelha Brasileira instalou enfermarias na sede da sua Escola de Enfermeiras, distribuiu medicamentos e recebeu doentes, segundo o Centro de Memória e Documentação da instituição. Este texto conta o que as fontes oficiais registram, sem ir além delas.
O que foi a gripe espanhola no Rio de Janeiro
A epidemia de gripe de 1918 ficou conhecida como "gripe espanhola". No Rio, a doença foi noticiada pela imprensa em outubro, e a cidade viveu semanas de grande pressão sobre os serviços de saúde. Esse é o quadro que a pesquisadora Nara Azevedo de Brito reconstrói, a partir da imprensa carioca, em artigo da revista História, Ciências, Saúde — Manguinhos, da Fiocruz.
Por que a Cruz Vermelha abriu enfermarias na Escola
Segundo o Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira, a epidemia chegou ao Rio em meados de outubro de 1918. Havia poucos postos públicos de socorro além da Santa Casa de Misericórdia. Por isso, o diretor da Escola de Enfermeiras, Getúlio dos Santos, propôs instalar enfermarias na sede da própria Escola, e a diretoria da instituição aceitou a proposta.
A página "Escola de Enfermeiras", do mesmo Centro de Memória, resume o período dizendo que a Escola, no Rio, foi transformada em isolamento. A página "Fatos e fotos" usa o termo "enfermarias". Este texto mantém o termo de cada fonte.
A formação das enfermeiras e a história da Escola têm artigo próprio: leia sobre a Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha.
Como foi o atendimento
Os registros do Centro de Memória descrevem um serviço montado em poucos dias:
- Os primeiros leitos foram instalados em 15 de outubro, segundo a página de história da Filial, que cita o relatório do diretor.
- Com o aumento da procura, salas de aula passaram a funcionar como enfermarias.
- O serviço de consultas e de distribuição de medicamentos funcionou dia e noite.
- A Escola enviou enfermeiras a postos de socorro criados depois e a hospitais, por pedido do Governo.
- Voluntários ofereceram ajuda, enquanto parte da própria equipe da instituição também adoeceu nos primeiros dias.
Os números registrados são estes: medicamentos distribuídos a 4.084 pessoas, 105 doentes internados nas enfermarias e 14 óbitos. A fonte observa que a maior parte dos internados chegou em estado muito grave, depois de dias de doença sem assistência.
O próprio diretor adoeceu, e o médico Estellita Lins assumiu a direção da Escola. A aluna-enfermeira Cherubina Angélica Guimarães, que havia ajudado nos primeiros dias, morreu da gripe. O Centro de Memória registra o episódio como parte da história das enfermeiras daquela turma.

O que esse episódio mostra
Em 1918, o atendimento da Cruz Vermelha Brasileira nasceu de uma decisão local: usar a estrutura que a instituição já tinha, uma escola, para acolher quem não tinha onde ser atendido. Foi um trabalho de enfermeiras, alunas, médicos e voluntários. Era também outro momento da instituição: o hospital veio depois. A história dele está no artigo sobre o hospital da Cruz Vermelha no Rio, que trata das enfermarias de 1918 como parte da história da Escola, e não do hospital do edifício da praça.
A gripe de 1918 na história da Cruz Vermelha
Esse episódio faz parte de mais de um século de trabalho humanitário da Cruz Vermelha Brasileira no Rio de Janeiro, ligado desde o início ao cuidado com as pessoas e à formação de enfermeiras. Para ver a linha do tempo completa, com os números da gripe de 1918 e fotografias do acervo, leia a história da Cruz Vermelha Brasileira no Rio de Janeiro.
Perguntas frequentes
Quando a gripe espanhola chegou ao Rio de Janeiro? A epidemia atingiu a cidade em 1918. O artigo da revista História, Ciências, Saúde — Manguinhos mostra que a imprensa carioca a noticiou em outubro daquele ano, e o Centro de Memória da Cruz Vermelha Brasileira situa o início do atendimento na Escola em meados de outubro.
A Cruz Vermelha atuou na gripe espanhola no Rio? Sim. Segundo o Centro de Memória e Documentação da Cruz Vermelha Brasileira, a instituição instalou enfermarias na sede da Escola de Enfermeiras, distribuiu medicamentos e enviou enfermeiras a postos de socorro e hospitais.
Quantas pessoas a Cruz Vermelha atendeu em 1918? Os registros falam em medicamentos distribuídos a 4.084 pessoas, 105 doentes internados nas enfermarias e 14 óbitos.
Onde ficavam as enfermarias? Na sede da Escola de Enfermeiras, no Rio. Salas de aula foram convertidas em enfermarias com o aumento da procura.
As enfermeiras da Escola participaram do atendimento? Sim. As fontes registram enfermeiras atuando nas enfermarias da Escola, em hospitais, em postos de socorro e em residências.
Fontes e referências
- Fatos e fotos — Centro de Memória e Documentação, Cruz Vermelha Brasileira — decisão de instalar enfermarias na Escola, ampliação do atendimento, 4.084 pessoas com medicamentos, 105 internados, 14 óbitos.
- Escola de Enfermeiras — Centro de Memória e Documentação, Cruz Vermelha Brasileira — Escola transformada em isolamento durante a gripe de 1918; enfermeiras nos hospitais, residências e postos de socorro.
- La dansarina: a gripe espanhola e o cotidiano na cidade do Rio de Janeiro — Nara Azevedo de Brito, História, Ciências, Saúde — Manguinhos (Fiocruz) — a gripe na imprensa e no cotidiano do Rio em 1918.
- História da Cruz Vermelha Brasileira no Rio de Janeiro — Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro — primeiros leitos em 15 de outubro, relatório do diretor, serviço dia e noite, envio de enfermeiras a postos de socorro.