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Leptospirose depois da enchente: como se proteger
Como se proteger da leptospirose após enchentes e alagamentos: evitar água e lama, limpar a casa com luvas e botas e quando procurar um serviço de saúde.

A leptospirose é uma doença infecciosa transmitida pelo contato com a urina de animais infectados, principalmente ratos, e a lama de enchente tem alto poder infectante, segundo o Ministério da Saúde. Por isso, a proteção começa em evitar o contato com a água e com a lama de enchentes e, na hora da limpeza, usar luvas e botas de borracha. Quem tiver sintomas depois de uma exposição deve procurar um serviço de saúde. Veja abaixo o que a fonte oficial recomenda.
Por que a enchente exige cuidado
Segundo o Ministério da Saúde, a bactéria Leptospira pode entrar no corpo pela pele com lesões, pela pele íntegra que fica imersa por muito tempo em água contaminada ou pelas mucosas. A fonte informa ainda que as inundações favorecem a disseminação e a persistência da bactéria no ambiente.
Também há um intervalo entre o contato e os primeiros sinais. O Ministério explica que o período de incubação pode variar de 1 a 30 dias e, normalmente, ocorre entre 7 e 14 dias após a exposição. Por isso, vale lembrar do contato com água ou lama mesmo semanas depois.
No estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informou que foram registrados 442 casos prováveis de leptospirose em 2023, 196 deles concentrados entre janeiro e março, período de chuvas fortes. São casos prováveis, ou seja, ainda sem confirmação, e o número ajuda a mostrar por que o cuidado importa.
Durante o alagamento
O Ministério da Saúde orienta evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas. O Alerta Rio, da Prefeitura do Rio de Janeiro, também recomenda evitar transitar em áreas alagadas e próximas a córregos, canais e rios sujeitos a transbordamentos. Se necessário, use os telefones de emergência 193 (Corpo de Bombeiros) ou 199 (Defesa Civil), ou o 1746, a Central de Atendimento da Prefeitura.
Acompanhar os avisos oficiais antes e durante a chuva ajuda a se afastar dessas áreas. O alerta da Defesa Civil no celular é um caminho para receber orientação quando há risco.
Outro ponto da fonte é a água de beber. Como são comuns quebras na canalização durante as enchentes, o Ministério recomenda usar água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo.
Depois da água baixar: limpando a casa
A lama de enchente adere a móveis, paredes e chão. O Ministério da Saúde recomenda retirar essa lama sempre com a proteção de luvas e botas de borracha, lavar o local e, em seguida, desinfetá-lo com uma solução de hipoclorito de sódio a 2,5%.
A proporção indicada pela fonte é esta:
- para 20 litros de água, adicionar duas xícaras de chá (400 mL) de hipoclorito de sódio a 2,5%;
- aplicar a solução nos locais contaminados com lama;
- deixar agir por 15 minutos.
Quem trabalha na limpeza de lama, entulhos e no desentupimento de esgoto deve usar botas e luvas de borracha. Na falta delas, a fonte cita sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés.

Para manter os roedores longe, o Ministério indica acondicionar e dar destino adequado ao lixo, guardar bem os alimentos, desinfetar e vedar caixas de água e vedar frestas e aberturas em portas e paredes. O uso de raticidas deve ser feito por técnicos capacitados.
Sintomas e quando procurar atendimento
Segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas da fase inicial são:
- febre;
- falta de apetite;
- dor muscular, principalmente na panturrilha;
- dor de cabeça;
- náuseas e vômitos.
Esses sintomas podem se parecer com os de outras doenças, como a dengue (veja a prevenção da dengue), e só um profissional de saúde pode avaliar o que está acontecendo. Ao suspeitar da doença, a recomendação do Ministério é procurar um serviço de saúde e relatar o contato com a exposição de risco, como água ou lama de enchente. A automedicação não é indicada. Se a pessoa estiver muito mal, ligue para o 192 (SAMU). Este texto não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Cuidar da comunidade
Depois de uma enchente, o cuidado com a saúde se estende aos vizinhos e à vizinhança. A página de voluntariado da Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro informa que a Filial atua em formação de voluntários, primeiros socorros, educação preventiva e apoio comunitário, e que não é preciso ser da área da saúde nem ter curso prévio para participar, porque a Filial forma os próprios voluntários. Conheça como fazer o voluntariado na Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro.
Perguntas frequentes
Como se pega leptospirose na enchente? Pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de animais infectados, principalmente ratos. A bactéria pode entrar pela pele com lesões, pela pele íntegra imersa por muito tempo em água contaminada ou pelas mucosas, segundo o Ministério da Saúde.
Como limpar a casa depois da enchente? Retire a lama usando luvas e botas de borracha, lave o local e desinfete com a solução de hipoclorito de sódio a 2,5% indicada pelo Ministério da Saúde: 20 litros de água para duas xícaras de chá (400 mL) do produto, deixando agir por 15 minutos.
Quanto tempo depois do contato os sintomas aparecem? O período de incubação varia de 1 a 30 dias e normalmente ocorre entre 7 e 14 dias após a exposição, segundo o Ministério da Saúde.
Quais são os sintomas da leptospirose? Febre, falta de apetite, dor muscular (principalmente na panturrilha), dor de cabeça, náuseas e vômitos. Diante deles, procure um serviço de saúde e informe se teve contato com água ou lama de enchente.
Posso tomar algum remédio por conta própria? Não. O Ministério da Saúde informa que a automedicação não é indicada. Procure um serviço de saúde.
Fontes e referências
- Leptospirose — Ministério da Saúde — forma de transmissão, incubação, lama de enchente, luvas e botas, limpeza com hipoclorito, cuidados com a água, controle de roedores, sintomas e busca de serviço de saúde.
- Recomendações — Alerta Rio, Prefeitura do Rio de Janeiro — evitar áreas alagadas e telefones 193, 199 e 1746.
- SAMU 192 — Ministério da Saúde — quando ligar para o 192.
- Enchentes preocupam especialistas da SES-RJ para novos casos de leptospirose no estado — SES-RJ, 04/02/2024 — 442 casos prováveis em 2023 no estado, 196 entre janeiro e março.
- Voluntariado — Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro — áreas de atuação e quem pode participar.