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Notícias·Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro·22 DE OUT 2026

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Primeiros socorros: o que fazer nas emergências mais comuns

Segurança, quando ligar para o 192, parada cardíaca, engasgo, sangramento, queimadura e convulsão: o que dizem as orientações oficiais e onde aprender na prática no Rio

Os três números de emergência para ter salvos no celular: SAMU 192, Corpo de Bombeiros 193 e Defesa Civil 199
Os três números de emergência para ter salvos no celular: SAMU 192, Corpo de Bombeiros 193 e Defesa Civil 199 — Arte: Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro

Primeiros socorros são as primeiras ações diante de um mal súbito ou de um acidente, até a chegada do atendimento especializado. Na maior parte das situações, a atitude que mais salva é também a mais simples: perceber que algo está errado e pedir ajuda ao SAMU (192) ou ao Corpo de Bombeiros (193). Este guia reúne o que as orientações oficiais dizem sobre as emergências mais comuns em casa, na escola, no trabalho e na rua, e mostra onde aprender a agir com prática.

Este texto informa e não substitui um curso com instrutor nem o atendimento de um profissional de saúde.

Antes de tudo: segurança e pedido de ajuda

O primeiro cuidado é com você. Antes de se aproximar, olhe em volta: trânsito, fogo, fio elétrico, fumaça, risco de queda ou de desabamento. Quem socorre não pode virar a segunda vítima.

Depois, peça ajuda:

  • SAMU (192) para mal súbito, acidente e qualquer situação em que a pessoa precise de socorro médico. O serviço é gratuito e funciona 24 horas, e o médico regulador orienta por telefone o que fazer até a equipe chegar.
  • Corpo de Bombeiros (193) para incêndio, resgate, afogamento e acidente com vítima presa.
  • Defesa Civil (199) para deslizamento, enchente e outras situações de risco.

Diga onde você está, com ponto de referência, o que aconteceu, quantas pessoas precisam de ajuda e se a pessoa responde e respira. Se estiver sozinho, as diretrizes da Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC) recomendam pôr o celular no viva-voz para seguir as orientações de quem atende sem parar de ajudar.

Ligar para o socorro já é ajudar. O Código Penal (art. 135) trata como omissão de socorro deixar de prestar assistência, quando é possível fazê-lo sem risco pessoal, ou deixar de pedir o socorro da autoridade pública.

Quando a pessoa não responde e não respira normalmente

Segundo a IFRC, uma pessoa que não responde e não respira normalmente (respiração ausente, irregular ou ruidosa) deve ser tratada como em parada cardíaca. A ação-chave é ligar para o 192 e começar as compressões no peito imediatamente, com a orientação de quem atende, e usar um desfibrilador automático (DEA) assim que houver um no local. A diretriz é clara num ponto que trava muita gente: na dúvida, comece. É pouco provável que quem socorre piore a situação.

Se a pessoa não responde, mas respira normalmente e não há suspeita de lesão na coluna, a orientação é deixá-la de lado, na posição lateral de segurança, para manter a via aérea livre, e acompanhar a respiração até o socorro chegar.

A técnica da reanimação, como e onde comprimir o peito, se aprende com as mãos, em manequim. Leia também: Sinais de infarto: o que não ignorar.

Quando ligar para o 192 na hora: a pessoa não responde, está engasgada, sangra muito, tem sinais de AVC ou de infarto, tem convulsão ou se queimou gravemente
Quando ligar para o 192 na hora: a pessoa não responde, está engasgada, sangra muito, tem sinais de AVC ou de infarto, tem convulsão ou se queimou gravemente — Arte: Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro

Engasgo

O engasgo acontece quando um alimento ou objeto bloqueia a passagem do ar, e é uma das emergências mais comuns, sobretudo com crianças. No engasgo leve, a pessoa tosse, fala ou chora: o melhor é incentivar a tosse e acompanhar de perto. No engasgo grave, ela não consegue tossir, falar nem respirar, e pode levar as mãos ao pescoço. Aí é emergência: peça ajuda e ligue para o 192 na hora.

Existem manobras próprias para adultos, crianças e bebês, diferentes conforme a idade e o tamanho, e elas se aprendem com treino prático. Para bebês, veja o guia O que fazer quando o bebê engasga.

Sangramento forte

Diante de um sangramento grave, a ação-chave da IFRC é fazer pressão direta sobre o ferimento, o quanto antes, e acionar o serviço de emergência em todo sangramento grave. Se a própria pessoa puder, ela mesma pode pressionar o local enquanto você pede ajuda. A diretriz também desaconselha os antigos "pontos de pressão" longe do ferimento.

Queimadura

Na queimadura por calor, a orientação da IFRC é resfriar a área com água corrente, por vários minutos, e não só por um instante. Anéis, relógios e roupas perto da queimadura podem ser retirados, desde que não estejam grudados na pele. As bolhas não devem ser estouradas. Para levar a pessoa ao atendimento, a queimadura pode ser coberta com um pano limpo e úmido ou com filme plástico, sem enrolar apertado.

Ligue para o 192 se a queimadura for grande ou profunda, se atingir o rosto, a boca, o pescoço ou as partes íntimas, ou se for causada por produto químico, eletricidade ou chamas. E nada de receitas caseiras: o Ministério da Saúde orienta não passar manteiga, pasta de dente, pó de café ou outras substâncias sobre a pele queimada.

Convulsão

Durante uma crise convulsiva, a IFRC orienta proteger a pessoa: afastar objetos que possam machucá-la, apoiar a cabeça em algo macio e afrouxar roupas apertadas no pescoço. Não segure a pessoa e não coloque nada na boca dela. Anote a hora em que a crise começou e terminou: essa informação ajuda a equipe de saúde. Quando a crise passar, confira se ela respira normalmente.

Ligue para o 192 se for a primeira crise da pessoa, se ela se machucou, se a crise durar mais de cinco minutos, se ela não voltar a responder depois, se as crises se repetirem, se for gestante ou tiver diabetes, se estiver com febre alta, sob efeito de álcool ou drogas, ou sempre que houver dúvida. Em bebês e crianças, a febre pode causar convulsão.

Desmaio, AVC, infarto e picada de escorpião

Já publicamos guias específicos para outras emergências frequentes:

Prepare-se antes de precisar

A emergência não avisa, mas dá para estar pronto. Salve no celular o 192, o 193 e o 199, e deixe os números à vista em casa e no trabalho. Saiba o endereço completo de onde você passa o dia, com um ponto de referência. Descubra se o seu prédio, escola ou empresa tem desfibrilador e onde ele fica. E, sobretudo, aprenda com prática: a IFRC defende que o ensino de primeiros socorros seja exigido de grupos como estudantes, novos motoristas e trabalhadores.

O que não fazer: receitas caseiras em queimadura, estourar bolhas, pôr algo na boca ou segurar quem tem convulsão, esperar num engasgo grave
O que não fazer: receitas caseiras em queimadura, estourar bolhas, pôr algo na boca ou segurar quem tem convulsão, esperar num engasgo grave — Arte: Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro

Onde aprender na prática

Ler ajuda a reconhecer uma emergência. Agir com segurança se aprende com as mãos, com instrutor e manequim. A Cruz Vermelha Brasileira atua para prevenir e aliviar o sofrimento humano, e isso inclui preparar pessoas comuns para agir. No Rio, a Escola de Educação e Saúde da filial oferece cursos presenciais na sede, no Centro, com certificado:

  • Primeiros Socorros Básico: 8 horas, com prática supervisionada: avaliação da vítima, reanimação cardiopulmonar (RCP), uso do desfibrilador (DEA), controle de hemorragias e atendimento inicial a traumas, engasgos e desmaios. Inclui o conteúdo da Lei Lucas e pede só o ensino fundamental.
  • Suporte Básico de Vida: 4 horas de atendimento inicial de emergências, seguindo diretrizes oficiais.
  • Primeiros Socorros Lei Lucas: para professores e funcionários de escolas, creches e outros ambientes com crianças, com avaliação da criança, RCP, engasgos, quedas, convulsões, queimaduras e hemorragias.

Empresas, escolas e condomínios podem pedir uma turma só do seu grupo, de 15 a 30 pessoas. O resultado da Escola é destinado à manutenção do Palácio da Cruz Vermelha e às atividades da filial.

Apoie quem ensina e socorre

A Cruz Vermelha Brasileira Rio de Janeiro é uma associação sem fins lucrativos, com sede no Palácio da Cruz Vermelha, no Centro. Ela forma os próprios voluntários, inclusive em primeiros socorros, faz educação preventiva e organiza campanhas de apoio à comunidade. Você pode ajudar de duas formas: com uma doação em dinheiro, por PIX ou cartão, com comprovante por e-mail, ou sendo voluntário.

Perguntas frequentes

Para quem ligar numa emergência? Para o SAMU (192) em mal súbito e acidentes, para os Bombeiros (193) em incêndio, resgate e afogamento, e para a Defesa Civil (199) em deslizamentos e enchentes. As ligações são gratuitas.

E se eu não souber o que fazer? Ligue para o 192 e fique na linha. O médico regulador orienta por telefone até a equipe chegar.

Posso piorar a situação tentando ajudar? Na parada cardíaca, a IFRC é direta: na dúvida, comece, porque é pouco provável piorar o quadro. Nas demais situações, siga as orientações de quem atende o 192 e não use receitas caseiras.

Dá para aprender primeiros socorros só lendo? Não. Um texto ajuda a reconhecer a emergência e a pedir ajuda, mas as manobras se aprendem com treino prático, em curso presencial com instrutor.

A Cruz Vermelha do Rio atende emergências? Não. A filial não faz atendimento de urgência nem agenda consultas. Em emergência, ligue 192 ou 193.

Fontes e referências

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